FOLHA N°1 de Março de 2009
EDITORIAL
Para uma sociedade cabindesa unida, forte e invencível
Povo de Cabinda,
Juventude Cabindesa,
Organização da Mulher Cabindesa,
Resistência Cabindesa,
O momento é particularmente grave e sem precedente na história da luta de libertação nacional do Povo de Cabinda.
A nossa sociedade em luta está fragmentada e na desorientação. Um estranho diria ser a única experiência adquirida nestas quatro décadas de ocupação estrangeira. Não há diálogo construtivo, não há concertação. Em vez da verdadeira acção revolucionária só existem querelas e rupturas privilegiando o individualismo, a sabedoria pessoal, o regionalismo, o etnismo, o grupismo, o sectarismo, a cobardia, etc.
Para o inimigo que disto sai fortelecido e arrogante, “enquanto os cães ladram a caravana passa”. Este não desarma. Pelo contrário, soma vantagens e tem a ocupação cabindesa quase que garantida com a ajuda dos próprios cabindas directa e/ou indirectamente instrumentalizados. A isto as gerações iletradas de Chicamba, Chinfuma e Simulambuco ousaram recusar perante a potência colonizadora com que souberam concluir e assinar peças com suficiente força jurídica que presentemente sustentam a justeza do nacionalismo cabindês.
Vivos os nossos antepassados não nos perdoariam com o actual cenário comparado com a desgraça de Tshiombé e do triste desfecho da luta para a libertação de Katanga acusada de sesseção logo à proclamação da independência da RDC a que foi aconselhado partihlhar com promessas de proclamar a do Katanga logo aos primeiros dias da independência. Foi uma autêntica embuscada que lhe custara não só a vida mas também a legitimidade do processo katanguês. Antes a morte que vivo escravo, de joelhos e amordaçado.
Quando justamente a nossa existência é ameaçada, os cabindas dormitam em querelas e desunião internas. No nosso lugar os outros povos esqueceram e meteram de lado as suas querelas internas, reuniram-se e optaram por uma acção concertada e conseguiram expulsar primeiro os invasores, pois acima de tudo está o interesse nacional. Assim procederam os argelinos durante a luta de libertação da Argélia, os resistentes franceses durante a ocupação alemã, os próprios movimentos angolanos de libertação (MPLA, UNITA e FNLA) antes da independência de Angola, etc.
Vox popoli vox Deo. Na história da humanidade, o povo sempre foi o autor da história. Nada lhe é impossivel. O ideal dum povo é uma verdadeira muralha indestrutivel. Ora aqui fala-se do povo e não de indivíduo ou de grupo. Nossos pais diziam “um só dedo não lava a cara”. Ao padre Jorge Casimiro Congo de acrescer “só o sacrifício modela a unidade de um povo” (cfr.opinião12.08.2008-Ibinda.com).
O padre Congo tem razão. O erro é só reparado quando cometido. Em Cabinda, infelizmente, isto acontece depois de décadas. Mesmo assim ainda resta sombra de dúvida. Após 34 anos de ocupação militarista, o nacionalismo cabindês ainda regurgita de líderes e de estremistas que ao abrigo das tempestades da luta erguem ombros em políticos irrealistas observando como a rã que, comparando a abertura do seu buraco à grandeza do céu, acreditam na dispersão das forçcas como viável à luta.
A situação, tão crítica e delicada que seja, não deve induzir ao pessimismo exagerado. Nada está perdido. O nosso nacionalismo ainda detém todos os seus trunfos a começar pela unidade para uma acção concertada. Como “querer é poder”, e se a nossa consciência assim o decidir, nada nos será impossivel.
Eis a razão por que é criada a Folha Libika Nkulu. O comissariado da Escola Política da Flec pensou passar de tempo em tempo ao consumo interno pequenos textos de educação patriótica, de sensibilização e de consolidação com vista ao armamento das massas e capacitação da resistência cabindesa contra a ocupação e dominação estrangeiras.
Libika Nkulu estima-se insuficiente e imperfeito. Precisa, por isso, duma contribuição multiforme, quer críticas ao seu melhoramento e enriquecimento quer textos de educação, de sensibilização, e de informação à fim de que numerosos Cabindas descubram a necessidade da resistência, a necessidade de se formar e de se preparar a uma acção concertada e vontade de agir. Agir para o reforço da resistência, agir para construir e consolidar as nossas capacidades, agir para trabalhar com outros de maneira concertada, enfim agir para retribuir uma imagem renovada não só à luta mas também ao colectivo das nossas forças vivas. Só isto nos trará a liberdade, mas não o medo, o cansaço, o desespero, a cobardia e a desunião. Unidos venceremos e a união é a nossa força!
Cabinda, Pátria imortal, vive e viverá!
O Director
António Bembo Bernardino
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